"Serelepe, Caxinguelê ou Caxixé: Uma espécie de muitos nomes, mas pouco estudada"

"Serelepe, Caxinguelê ou Caxixé: Uma espécie de muitos nomes, mas pouco estudada"

No Brasil, eles vivem em áreas de floresta da Amazônia e remanescentes da Mata Atlântica e, felizmente, não estão ameaçados de extinção. As diversas espécies de esquilos das nossas florestas têm grandes olhos e orelhas pequenas, com pelagem macia e cauda peluda e longa.
 
Roedores, potentes e incansáveis, necessitam gastar os dentes, de crescimento contínuo. Os incisivos são fortes, assim como os músculos das mandíbulas, o que lhes permite abrir sementes muito duras. Os indivíduos mais hábeis logo descobrem que a maneira mais eficiente de retirar a polpa de coquinhos, por exemplo, é fazendo um corte em triângulo, conforme conta o zoólogo Ivan Sazima, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp): "Entre as cascas de coquinhos jerivá (Syagrus romanzoffiana) é comum verificarmos tanto cortes perfeitos, feitos pelos serelepes mais experientes, como as tentativas desajeitadas dos inexperientes".
 
Os frutos predados são facilmente encontrados no pé das palmeiras, que os esquilos escalam com grande facilidade. Essencialmente arborícolas, eles vivem nas copas das árvores, onde há vegetação de porte elevado e abundância de palmeiras, castanheiras ou, no sul do Brasil, araucárias. Têm grande facilidade para se movimentar pelos troncos e estão entre os raros animais capazes de descer de frente, na vertical, desafiando a gravidade com uma habilidade ímpar.
 
A mata não precisa ser nativa. Eles suportam certa proximidade do homem e vivem em áreas de vegetação alterada, desde que sejam mais ou menos densas, como em áreas plantadas com árvores de corte, de exploração de resina ou agroflorestas. Das cerca de 20 espécies de esquilos que existem no Brasil, a maior parte vive na Amazônia, em regiões como as dos rios Negro, Juruá e Tapajós, onde são também chamados de quatipurus ou acutipurus, palavras indígenas que querem dizer quati enfeitado e cutia enfeitada, respectivamente, numa alusão à cauda que os diferencia desses dois animais.

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